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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Este fará falta: Leslie Nielsen





O mundo ri menos hoje. Difícil será fazer uma comédia pastelão-satírica sem a presença de Leslie Nielsen, falecido ontem. Só de olhar para ele, sem ser preciso nada além de seu rosto, nem uma fala sequer, nem um trejeito, gag ou qualquer artifício, eu tenho vontade de rir. O homem nasceu para fazer um tipo de comédia de absurdos, desde o policial durão ao presidente sem juízo algum. Não tinha rivais, era imbatível e inimitável.

Numa época em que o cinema carece de roteiros para todos os gêneros, em que os velhos heróis são ressucitados e, para nossa triste surpresa, estão velhos, um ator cômico do seu porte não é algo que se encontra em todos os lançamentos da semana. A comédia desandou muito nos últimos tempos, principalmente depois da febre da comédia romântica, mas Nielsen é atemporal. Foi um ator que por pouco não conseguiu o papel de Ben-hur, que ficou imortalizado no papel do capitão de O Planeta Proibido, que serviu de base para muita coisa de star trek e porque não dizer star wars. Mas era fazer os outros rirem seu melhor trabalho.

Nos últimos 30 anos, participou da refundação da comédia pastelão-satírica com Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu, sucedendo com sucesso nomes como o dos irmãos Marx, Buster Keaton e até mesmo Chaplin. Pena que até este gênero ficou desgastado, mas mesmo assim Nielsen sempre se fez presente. Em Corra que a Polícia vem aí, seu maior sucesso, ficou conhecido mundialmente. Impagável ele como juiz de baseball, atropelando a rainha num banquete, fazendo a primeira dama ficar pendurada numa sacada de roupa de baixo ou ir aos tapas com raquel welsh na cerimônia do oscar.

Um humor em que quando havia conotação sexual não era explícita e vulgar como hoje. Ele sabia medir caras e bocas, porém chorando ou correndo para salvar Bill Clinton, era visível que se divertia e gostava do que fazia, pois se ele não ria para a tela, sabia que a tela ria para ele. Sorte do céu agora, está rindo mais.

sábado, 20 de novembro de 2010

Chega de ilusão, vou torcer para o Polonês


Sou fã de Fórmula 1 desde que me entendo por gente. Lembro dos dois últimos títulos de Senna, sua trágica morte, as flechas de prata da McLaren, a Era Schumacher e como me fez falta torcer para um brasileiro.

Não invejo Barrichello pelo fardo que herdou em 94 de ser o sucessor de um dos maiores, se não o maior piloto, que já apareceu nas pistas. Mas sua atitude amargurada e derrotista, sua imperícia e muitas vezes amadorismo que surgia sem o menor motivo e, pior, sua inépcia em deixar o pé no acelerador quando a Ferrari o mandava deixar Schumacher passar, me tirou qualquer possibilidade de tê-lo como favorito. Por algum tempo, admirei o grande alemão, quando com um pangaré vermelho que herdou, lutava do jeito que podia, contra carros muito melhores que a prateada McLaren tinha. É idiotisse não dizer que o homem sabe o que faz. Sabe e sabe bem, tão bem que não sei o porquê do Rubens ser tão... infiel com os deuses do Olimpo e tirar o pé do acelerador. Após este fato, quis um grande campeão para rivalizar com ele.

Infelizmente, este homem não chegou, mas vi em Felipe Massa um grande potencial. Ele fez a escola certa. Não ganhou um foguete de presente como muitos, foi aprendendo. Chegou merecidamente à Ferrari e assim, ao contrário de Barrichello, poderia sim nos levar aos bons tempos em que sentíamos orgulho de ter um brasileiro campeão. Por 20 segundos, se muito, ele o foi, até que Hamilton ultrapassou um pobre coitado Timo Glock, que não tinha mais pneu, carro, motor, nada para segurá-lo na posição e acabou sendo ultrapassado pelo inglês, sagrado campeão.

Seja como for, continuei torcendo pelo Felipe, mesmo com um carro desajeitado que enfim conseguia arrumar até ser acertado por uma mola barrichelliana. Ali, começou de novo meu desgosto. O homem desaprendeu. Perdeu a garra, a coragem. Perdeu até espaço na equipe, quando recebeu uma discretíssima e polêmica ordem de deixar Alonso passar. Perdeu aí também meu respeito.

Daí que vi um tal de Robert Kubica, que há alguns anos está correndo no circuito, e muito me impressionou que durante o ano, sempre estava na frente, com um carro deficitário. E pilotando bem, não por pura sorte. Seu companheiro, fazendo carreira nas posições com dois dígitos, só serve para dar trabalho à equipe e talvez algum dinheiro. Mas Robert tem aquilo que falta em muito piloto hoje em dia, menos um grande carro. Claro, não tiro o mérito do espanhol, do novo alemão ou do inglês Hamilton, entretanto é fácil chegar na frente com carro bom. Que o diga o campeão de terceira categoria Villeneuve. Ou então Hakkinen, que quando viu Schumacher vir com tudo numa Ferrari finalmente arrumada, se aposentou. Ou, por último, o matemático Damon Hill, que dirigia com um manual no colo e não sabia ousar.

Portanto, vou pender para torcer por aquele que merece chance, que merece um carro, uma boa equipe e um bom parceiro. Parceiro, não favorecedor, diga-se de passagem. Torcerei pelo polonês, pois até agora com ele não tive desilusão e também por acreditar que é de pilotos como ele, ousados, arrojados, que vão ao limite do seu equipamento e provam a todos que ele pode mais. Este é o nível mínimo que a Fórmula 1 tem que almejar.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sobre como estou desapontado com o cinema atual

O cinema vive de modas desde sempre. Os primeiros filmes, eram sobre o cotidiano. Apareceu alguém que quis fazer pequenas histórias, criadas por ele mesmo ou já conhecidas por todos, e não houve quem não o copiasse. De repente, virou popularesco por um lado e do outro virou obra de arte, principalmente na mão de europeus. Veio a fase do cinema falado, dos primeiros e péssimos musicais. Cansados de músicas, os épicos tiveram sua vez. Então veio a crítica dos anos 70, os novos heróis, as fantasiosas décadas de 80 e 90, nos astros no fim do século, mega produções nos anos 2000. agora, tudo virou 3d, graças principalmente a avatar.

Claro, nunca se deixou de se fazer qualquer dos generos mencionados. Hoje em dia, há musicais até passáveis, bons épicos, etc. Mas sempre há uma predominância de um gênero e hoje em dia um astro completo como gene kelly ou chaplin teriam um público bem menor do que há 60 ou 80 anos atrás. há fases, tendências, épocas e eras. muitos não sobreviveram às revoluções sociedade. um grande exemplo se encontra no final dos anos 20, quando hollywood teve que buscar às pressas novos astros quando as pessoas simplesmente achavam que os antigos mudos não eram tão bons assim, sem graça, sem o poder que tinham quando belos rostos em pantomima apareciam em um filme por semana, em alguns casos.

Sim, posso até compreender o fascínio e a queda da qualidade de texto da era digital, mas ao contrário de outros momentos, não encontrei até agora um só filme que mostre uma evolução da tendência. digo isso mesmo com os fantásticos números de bilheteria de avatar, pois até agora sustento que ali é a história de pocahontas com um ar de o ataque dos clones. quando, por exemplo, os faroestes da década de 70, anti-heróis e os hippies se desgastaram, um cinema órfão viu surgir rocky, o poderoso chefão, taxi e touro indomável. quando os musicais toscos de primeira linha estavam cansando, vieram judy garland, fred astaire, gene kelly e outros com grandes musicais que até hoje são admirados pelos apreciadores da sétima arte. na falta de recursos dos anos 40, pelo mercado europeu seriamente comprometido com a guerra, tivemos os melhores anos de nossas vidas, casablanca e cidadão kane.

com a revolução tecnológica iniciada com star wars, tivemos um inspirado spielberg nos maravilhando por quase 20 anos com bons roteiros e filmes em que os efeitos visuais e especiais contribuíam para a história, e não se tornavam a base única de sustentaçaõ dela. hoje, tire os efeitos, as coisas jogadas para o público, as imensas paisagens computadorizadas, o que nos resta? um prejuízo no bolso, no bom gosto, nos critérios e na própria arte.

talvez eu esteja me precipitando, mas estou mesmo desgostoso e cada vez mais me vejo forçado a olhar para trás. para uma época em que não me tratavam como um homer simpson a maior parte do tempo. não falo a favor de ninguém mais ver estes filmes. assim como muitos, sempre defendi novas tecnologias e abordagens ao cinema. se não, até hoje veria um filme pessoas jogando damas no meio na rua por 2 minutos e sairia alegre, mas sou intransigente num ponto: ou tem roteiro que preste e me faça esquecer dos efeitos, ou então é apenas um par ou trio de horas mal aproveitadas e para não ficar de fora nas conversas.

domingo, 14 de novembro de 2010

Felipe Anselmo vai a Buenos Aires, Parte 4




Para garantir q Felipe iria mesmo embora da Argentina, cinco unidades do exército cercaram o aeroporto, levando oito carros dos bombeiros com as mangueiras prontas para jogarem nele toda a água q pudessem em caso de vômito.

A comemoração quando o avião levantou voo foi tão grande q nem se o país fosse tricampeão de futebol haveria tanta gente nas ruas. Maradona, claro, estava puto da vida. Ainda queria que o Brasil fosse para o espaço e a todo custo queria que o país entrasse em guerra civil. ele ainda ligava para josé serra, tentando sabotar a campanha de dilma, e quando soube que felipe aterrissou em recife, lançou seu último boato: que Lula e Dilma iam demolir o maracanã e construir outro estádio no lugar chamado La Maradonera.

Não deu certo e ele decidiu então infernizar a vida do próprio felipe. O homem estava indo para caruaru, para votar para presidente, e recebeu uma ligação ainda no terminal rodoviário:

-Usted és el Felipe?

-Por que quieres saber?

-Usted estás en Argentina?

-Por que quieres saber? Alguno problema?

-Esquecieste un utensilio en el hotel.

-Mis agullas de insulina?

-Non.

-O que estão, caceta?

-Y Planieta!

-Usted vá pra una mierda!

Desligou o telefone e deixou maradona sozinho, sem saber como terminar a piada. No dia seguinte, votou e viu sua candidata ganhar para presidente. Entretanto, enquanto estavam todos comemorando na avenida, pedro já bêbado, por exemplo, Dilma recebeu uma ligação da mulher de Kirchner, ela querendo estraditar felipe para processá-lo por danos ao patrimonio das janelas argentinas e pela morte do marido.

Dilma então ligou para eduardo, que ligou para zé, que ligou para o grande resolvedor de negócios de caruaru, pedro, e conseguiu o telefone de felipe. A presidenta então ligou direto para ele e lhe comunicou que a menos que ele fizesse um pedido de desculpas e projetasse uma nova janela, ele deveria ir para a argentina ser julgado. ele respondeu:

-Frescura!

E dilma deixou o assunto pra lá.

1 ano...





Tentarei não ser tão sentimental e meloso, se não vão pensar que eu fui substituído por um alienígena.

Um ano atrás, finalmente tomei coragem de fazer algo que devia ter feito com exatos 8 anos de antecedência e lutar por uma pessoa. Na verdade, por duas pessoas: eu e Rafaela, minha atual namorada, re-namorada, na verdade.

Sei lá pq, mas acho que por bons motivos, ela aceitou meu pedido de namoro feito durante uma excelente festa a fantasia. Lembro-me bem de tudo, exceto da hora em que o pedido foi feito, motivo pelo qual, para evitar desavenças futuras, decidimos que tanto o dia 13 quanto o 14 de novembro seriam as datas de nosso aniversário.

Queria apenas agradecer a ela pelo tempo que ela me deu para eu me adaptar, pois eu não me sentia nem um pouco pronto para iniciar um relacionamento e só o fiz pois sabia que era minha última chance, provavelmente pelo resto da vida. Também pela paciência pelas ausências e pela distância, pois foi durante a época mais puxada do internato, quando eu ia 6 dias por semana ao hospital, que nosso relacionamento re-começou. E por ter me deixado ganhar confiança em mim mesmo para seguir num momento difícil de minha vida e chegar num ponto em que estou aguentando os desafios que me apresentam.

Linda, por tudo isso e por um ano muito bom, excelente, pela minha formatura e você me ajudando a não matar um bocado de gente da raiva que me davam e também por ser quem é, obrigado por este primeiro ano de milhares que teremos.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Felipe Anselmo Vai a Buenos Aires - parte 3


Enfim Felipe estava no congresso, vendo animadas discussões sobre janelas e vidraçarias e o futuro delas na arquitetura do século XXI. Foi chamado, por sorteio, a ir ao palco do teatro ver pessoalmente as inovações. olhoui para a primeira, uma janela árabe, feita de material ultra-resistente, ecológico, o escambáu.

-És bonita la... - ia dizendo ele quando a janela sem motivo nenhum caiu no chão.

Assim foi com todas as outras. Ele saiu do palco desconfiado e quando um dos maiores arquitetos do mundo lhe perguntou o que tinha acontecido, ele disse:

-Alguno problema?

Ao fim do dia ele esteve presente no momento em que cinco projetores queimaram, duas tomadas pegaram fogo, quatro maquetes se desmontaram e quando ele acabou vomitando em cima de Oscar Niemeyer durante uma sessão de autógrafos, mandou o véi direto pra uma UTI.

Neste meio tempo, Maradona, ainda ofendido, continuava a trilhas seus planos para a guerra contra o Brasil. Resolveu que uma guerra civil era a melhor coisa antes de atacar as terras brasileiras e mandou para josé serra uma mensagem a cobrar: diga que dilma torceu pro nós na copa do mundo.

Se fosse outra época, serra estaria eleito. mas o brasil jogou tão mal, que para muitos eleitores torcer para a argentina era o melhor a ser feito. Serra mandou Maradona pra el infierno.

De volta a Felipe, ele no segundo dia foi barrado no congresso. Disseram que estava dando prejuízo e lhe ofereceram um passeio por buenos aires. Tudo pago, até a comida e a insulina. Quando ele se aproximou da Casa Rosada, que é a sede do governo argentino, resolveu parar para comer num restaurante.

Como o congresso pagava, resolveu pedir tudo. Fez a festa. Um garçom lhe perguntou:

-Mas como usted comes! és assim lá en Brasil?

-Cala a boca, Valdívia. - respondeu felipe, indo embora.

Passou em frente à Casa Rosada de novo. Estava passando mal, tonto, pálido, suando frio. Foi aí que bateu de frente com o ex-presidente Nestor Kirchner.

-Estás bien, jueve?

-GRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAACHACHA! - disse Felipe enquanto vomitava no homem e o mandava para a UTI. Ele morreu horas depois.

Desta forma, o governo argentino exigiu que ele não voltasse mais ao país. E no dia seguinte, ele retornaria ao brasil.

sábado, 6 de novembro de 2010

Felipe Anselmo Vai a Buenos Aires - parte 2

Chegando em Buenos Aires, Felipe logo teve fome, como sempre. Andou por parte da cidade e encontrou um lugar com um nome familiar: El Carrancon. Teve boas lembranças de uma vez que esteve na sua versão brasileira e de como imaginava até então que o dono do lugar tinha ficado feliz por ter que mandar limpar e encerar todo o piso.

Pediu um mega sanduíche, El Ego del Maradona, que era do tamanho do seu braço. Não foi por acaso que viu o dono do Carrancão, de Caruaru, ali, no balcão, conversando com o que vinha a ser seu primo, Madruga Valdez. Começou a rir e logo depois ficou amarelo, verde, vermelho e por fim, quando todos cantavam o hino da argentina por conta de um gol da seleção, ele vomitou todo o sanduíche no poster de maradona, assim como no dono do El Carrancon e seu primo brasileiro.

-Que mierda fizeste! - gritou Madruga - Só non te dou una....! - e saiu girando de raiva cozinha a dentro para pegar.
-Alguno problema? - perguntou Felipe, vomitando em seguida duas mesas.

Logo depois de levar o El Carrancon à falência, ele continuava enjoado. No sanduíche tinha algo chamado tempiero del futbol argentino, que lhe fez mal. Muito mal.

Decidiu ir ao hotel e viu que o ídolo Diego Maradona iria também se hospedar lá. Estava sofrendo o mal do urologista, pois na copa entrou cheio de moral e tomou de 4 da alemanha.

Pouco a pouco foi colocando suas malas na calçada, numa lentidão que deu medo aos argentinos e a maradona, que pensou estar drogado de novo. Deu que felipe acabou dormindo ali mesmo em cima das malas e quando Maradona foi acordá-lo, enraivecido, teve uma triste surpresa: Felipe despejou nele o que faltava do sanduíche do El Carrancon e ainda disse:

-Usted está com priessa? Yo no estoy com nenguna!
-Mas usted me vomitaste todo!
E felipe, sentindo-se mal de novo, abriu o bocão saindo a sobremesa que tinha comido e gritando: GRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAACHACHA!

Ofendido, maradona decidiu declarar guerra ao brasil.
Felipe, mandou ele para aquele canto, em espanhol, e ainda disse que preferia ficar sem insulina a comer no El Carrancon outra vez.

Enfim, pôde dormir de novo, porém enquanto levava suas malas de carrinho, ficou 20 minutos parado no meio da porta do elevador, tirando um cochilo.

Um menino que estava com seu pai, incomodado, acabou chutando sua perna e felipe respondeu:

-Estay com pressa? No estoy com pressa nenguna! Se estás achando que vou sair corriendo, esto és tu probliema!

Então, entrou no quarto, e começou a ver sua programação de preparação para o congresso de arquitetura:

"Para chegar à sala do Mestre, é preciso subir o caminho das Doze Casas. Cada uma delas..."

Depois de se arretar com Seyia apanhando, dormiu, com a televisão ligada.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Nordestino até a MORTE: Uma resposta ao preconceito Sulista - Segundo Turno


Outra vez, de novo, estou ouvindo um monte de gente preconceituosa acusar o nordeste de ter eleito dilma presidente e que eles, sulistas, são de alguma forma superiores a nós, nordestinos. que é o centro-sul mantem o coraçaõ, artérias, veias, capilares e, por que não dizer, até mesmo o bolo fecal do país. Acusaram-nos de comprados pelo bolsa família, pelas políticas sociais, nossa cultura rebaixada (bom, se falarem só do axé eu deixo), que somos desqualificados como votantes.

Como divulgado recentemente e bem documentado no blog os amigos do presidente lula http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/11/dilma-ganharia-mesmo-sem-nordesteserra.html#links , ela, Dilma, seria eleita mesmo se o Norte-Nordeste fosse um outro país. Ainda bem, pois para os grandes pensadores do sul-sudeste, phd's em matemática, cérebros hipertrofiados, não deve haver muito argumento para números. Convido os estados de Minas e do Rio de Janeiro para fazer parte do novo país.

Ainda assim, insisto que fizemos muito mais do que ajudar na eleição. A maior faxina do senado brasileiro foi feita pelo nordeste, que finalmente acordou. Botamos para fora boa parte daquela oposição articulista, que não tem projeto nem para o prato do próprio almoço, e todos os dias de suas vidas parlamentares são dedicados a infernizar o governo federal e construir a máquina do tempo, querendo retroagir o país. Dou nome aos bois: agripino, marco maciel, jader, mão santa, heráclito. entre outros. sim, tem muito o que fazer, mas pelo menos o que fedia e estava podre botamos para fora, agora falta tirar o pó e o que só ocupa espaço. é um começo. o que o sul fez, além do de sempre? E São Paulo, meu deus, que deve ser 45% só de nordestino burro que votou na petista.

Por favor, façam sim um outro país e fiquem longe do meu. Não quero fazer parte de um país de intolerantes, de fascistas, racistas, da direita ultra-montana, cega, arrogante e cheia de si. Deixe-me sentir orgulho de poder olhar para algumas figuras da oposição e saber que eles sabem que não estão no poder, não tem as mesmas visões, mas querem o bem do país. Deêm-me um país em que quando eu perco não acuso os outros de burros e mal vencedores, mas lhes estendo a mão para juntos prosseguirmos, e se vencedor, não humilhar nem ser alvo de humilhação. Digo e repito, Nordestino e Pernambucano com muito orgulho. E Brasileiro também.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Leia íntegra do primeiro pronunciamento da presidente eleita Dilma Rousseff




"Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui.

Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida.

Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.

Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.

Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.

Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.

Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.

Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões.

O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família.

É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.

A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.

Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.

Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.

No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.

Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.

Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público.

Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.

Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.

As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.

Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.

Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.

Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.

Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde.
Me comprometi também com a melhoria da segurança pública.

Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.

Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos.

Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.

A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade.

É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa.

Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.

Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.

Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.

Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.

Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.

Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós.

Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta.

Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado.

Saberei consolidar e avançar sua obra.

Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo.

Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.

Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união.

União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.

Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada,"