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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Os Inesquecíveis Aviões Charques-98

Era a sétima A em 1998, uma das piores e mais legais turmas que o Diocesano já viu. O ano de 98 foi o ano das bolinhas de papel, das quedas de energia, da bolsa cheia de lixo, da suspensão e é claro, dos charques, os maiores aviões de papel que meu colégio já viu.
Era uma aula chata de português. estávamos todos entediados e até cansados de uma apresentação de geografia que fizemos nas duas primeiras aulas. As paredes da sala estavam forradas de nossos cartazes e um deles caiu perto de uma das lendárias figuras com quem não temos mais contato: Biu.
Ele era meio doido e mais sem juízo que a gente. Chamávamos de vários apelidos: Biu lutero, Bio das Galinhas, Bio-lola (esse eu não sei quem inventou), etc. Enfim, ele estava num de seus acessos de tédio e pegou um dos cartazes e deu na cabeça dele de fazer um avião. Antônio, que sentava ao meu lado, quando viu o tamanho do avião de papel, teve crise de riso e só depois conseguiu nos mostrar o que danado era que o fazia rir tanto. Claro, também rimos com o avião, mas pior foi quando ele foi finalmente lançado e vimos seu voo e o nome do lado: Charque.
O professor virou-se do quadro e viu uma sala inteira rindo ou prendendo o riso, mas não viu a estrela do dia, que havia pousado. O segundo voo foi mais engraçado ainda, pois dessa vez o professor viu, mas não jogou o avião fora, pediu para não fazermos mais isso. Não fosse a aula terminar em 2 minutos teríamos descumprido seu pedido.
A próxima aula foi ainda mais chata, mas antes dela roubamos mais algumas cartolinas e fizemos os novos Charques. O Charque-sem-sal, O Charque-com-macaxeira, O Shark (este para exportação), etc. Sempre colocávamos os nomes nos aviões. Minha banca virou o aeroporto de Guarulhos, pois ali era onde guardávamos cada avião. Quem diabos iria suspeitar de mim?
A aula foi de um professor substituto, um coitado que mal saiu da faculdade e não sabia pedir nem cachorro quente sem levar desaforo. A festa estava pronta. Ele virava para o quadro, 8 aviões cruzavam a sala. Chegou um momento em que começamos a fazer bolinhas de papel para lançar junto aos aviões. Parecia a segunda guerra mundial, principalmente por o lado de cá, que era o meu, não gostar do povo do lado de lá.
Era bolinha de papel e charque para tudo que é lado. Eu já estava com a barriga doendo de tanto rir. Era demais já. O engraçado é que o professor não percebia nada, já que quando se virava encontrava todos com cara de santo, menos Antonio, eu e Everton, que colocávamos a mão no rosto para prender o riso.
O dia terminou, mas a brincadeira não. Durante as próximas duas semanas mais e mais charques surgiram e foram para a lixeira, mas para cada um, uma história nova. Um deles atingiu o traseiro do professor substituto, que mais uma vez apareceu para dar aula. Outro, na hora do intervalo, passou de raspão na cabeça da diretora. um cruzou o corredor, entrou numa sala e só ouvimos o grito da professora. enfim... O resto, é história... Um viva aos saudosos Charques!

Por que diabos o Renato Aragão não dá uma boneca de aniversário à filha e no...

Quando eu era pequeno, meu velho sempre me levava ao cinema para ver os novos filmes dos trapalhões. Muitos eu vi ainda novos na locadora e quantos de nós naquela época não riam com didi, dedé, zacarias e o grande mussum? Era uma coisa fora de sério. de noite no domingo, depois de dar um passeio de carro pela cidade com a gente, meu pai fazia questão de assistir ao programa que na época era sensação. O tempo passou, dois deles se foram, dedé nem mais aparece junto ao renato aragão e fica fazendo aquele programa péssimo no sbt, mas os filmes do didi sempre aparecem. Honestamente, após a morte de zacarias e mussum, eu pensei que ele daria início à sua aposentadoria. errado. Continua a fazer filme e depois dessa última filha, acho que é trigésima nona, a coisa piorou. As piadas dele são as mesmas sem o requinte de antigamente e as lições de moral já estão batidas. uma vez ou outra ele tenta uma jogada tecnológica, mas os filmes são fracos mesmo. Pior é a tal da lili. Credo. Essa coitada não poderia ser gente e fazer como qualquer criança com cara de débil mental faz? ir para a escola, se esconder da imagem do pai famoso, crescer, reproduzir na adolescencia, virar um problema e lá na frente fazer um documentário falando mentiras e amenizando as coisas? Não. tem que todos os anos receber de presente uma "mega" produção com um "grande" elenco. não que os atores que estão com uma orgulhosa participação em malhação ou que estão parados há séculos ou provavelmente passando fome não tenham seu crédito, mas isso é demais. Os filmes dele, e da xuxa também, com meio milhão de espectadores (em 8 meses em cartaz), são mal feitos, mal musicados, mal filmados, mal tudo. a história é sempre a mesma, principalmente no caso do didi, o título diz tudo e pior, tem gente que acredita que no outro ano ele não faz mais. sei não. queria botar ele para ver o filme com uma boa platéia: diga-se de passagem crianças sem más formações cerebrais. se ele quer fazer a filha feliz, tudo bem, dá para aguentar, mas precisa lobotomizar os pobres pirraios da idade dela?

O novo Indiana Jones

Novo nada, é o velho dr. Henry Jones Junior mesmo. E ainda bem que ele admite no filme que não é mais jovem, mas mesmo assim faz mais do que muito marmanjo por aí em filmes sem roteiro e com muita bala. Logo no início, a referência à arca da aliança chega me fez sorrir e vê-la de relance foi mais do que satisfatório. sempre quis saber que danado de depósito era aquele no primeiro filme. Uma cena comovente é ele lamentando as mortes do pai e de Marcus Brody. Sean Connery foi muito sacana em não ter aceito o papel do pai de Indiana Jones, um de seus melhores até hoje, e a referência à morte dele bem pode ser uma piada dos roteiristas. É interessante ver como um ator limitado como Harrison Ford, limitado mas que trabalha duro, demonstrar em dois closes o quanto sente falta daqueles dois e o quanto se sente sozinho. Realmente, chegar numa fase da vida em que se perde mais do que se ganha não é fácil para ninguém. O segundo ato está entre meus favoritos, pois a química de Shia LaBeuf e Ford lembra muito a de que ele tinha com Connery, além, é claro, das constantes lembranças do mais novo sobre sua idade. "Passou dos oitenta" merecia um belo soco!
Claro que o professor Oxley desestabilizou a trama no meio do filme. Lembrar que aquele devia ser o pai do Jones e não um velho amigo só mostra o quanto o roteiro foi mudado com a recusa de Connery, mas ainda assim há competencia de sobra para reduzir o dano. Ox completamente fora do mundo é fantástico, principalmente com Jones se afundando na lama e o homem lá, olhando para ele com cara de imbecil. As cenas de jones com sua antiga namorada e ex-noiva, como viemos a saber, Marion Ravenwood, a filha do Abner, e sua confissão de que o jovem Mutt chama-se Henry Jones Terceiro é a melhor parte do filme. Só a cara do homem do chapéu e chicote quando a vê é engraçada e as discussões deles pelos próximos minutos são tão boas quanto Jones Senior e Jones Junior correndo dos nazistas. Eu mesmo notei a referência ao terceiro filme quando Mutt, ou Indi Junior, passa o canivete para seu novo pai e ele o deixa cair antes mesmo de usar. Como não é atrapalhado como Jones Senior, Jones só faz dar o susto e corta as amarras.
Depois de uma luta de esgrima, cipós, formigas gigantes asssassinas comedoras de russos, bazucas, tiros, mudanças de um lado para o outro da caveira de cristal, e três quedas incríveis, a última a mais hilária que eu vi em anos, vamos à tradicional parte em que os mistérios são revelados. Isto para mim nao passou de uma homenagem aos filmes B dos anos cinquenta e como a saga de Indiana Jones foi concebida para ser um filme B em homenagem aos filmes B dos anos 30, nada mais lógico do que fazer o mesmo num período vinte anos depois.
Por fim, temos a grande reunião de família e faço coro com o professor Oxley, de volta à razão: quantos anos de nossas vidas não esperamos por este momento?
Eu passei minha vida toda querendo saber se teria outro filme e agora só espero saber se em breve terei mais hiostórias...

De onde tiro minhas idéias doidas para meus livros que ninguém lê!

Sendo direto: de minha própria vida na maioria dos casos.
Meu primeiro livro, os camaleões, saiu como uma tentativa de mostrar como eram idiotas e fúteis umas pessoas que eu conheci e até agora dou graças a deus de não falar com a maioria delas. Eu detestava aquele povo e eles até me prejudicaram e riram de mim num momento muito difícil em novembro de 2001, entaõ resolvi descontar minha raiva na história. no fim, virou uma terapia e esqueci que os detestava tanto, ao ponto de esquecer que a maioria deles existia e cada personagem seguiu seu caminho.
O segundo, que terminei na época em que dava retoques no primeiro, chamado máscaras reais, foi um conto estilo fábula, uma coisa que hollywood bem podia transformar num bom musical ou num filme teen desprezível, e sua inspiração básica veio de partes de minha até então desastrosa vida amorosa. partes boas, diga-se de passagem. e acredito que seja minha melhor história até hoje.
O terceiro, que terminei até em tempo recorde para seu tamanho, 200 páginas em 6 meses, comecei já na faculdade, como uma tentativa de fugir do horror que ela é. No livro só mudei um nome, o meu, e adicionei alguns personagens caruaruenses que nada tinham a ver comigo, uma personagem feminina que era real e outra que eu só fiz ver um dia a pessoa perambulando pela faculdade e decidi dar-lhe um nome, personalidade, história e o resto. não é dos melhores, mas foi o primeiro que me rendeu uma continuação.
O quarto livro foi um projeto antigo finalmente realizado. Um presente para uma namorada. Tinha tentado isso antes, mas o namoro acabou antes que eu terminasse o livro. passei alguns anos com este trauma, mas finalmente o venci. haviam 3 de mim na história, um carro voando, e algumas coisas de que não gosto de comentar por aí com qualquer um. pode não ter sido meu melhor, mas foi o que fiz com mais gosto.
O quinto, no qual estou trabalhando para terminar este ano, há 3 anos que está em fase de produção. é continuação do terceiro, se passando num período de tempo de 6 meses e quem sabe um dia eu faço uma terceira parte e continuo a saga? Está cada vez mais distante de minha história real, só com uns pontos para ilustrar, e os personagens reais da faculdade não passam de cenário na maioria do tempo.
Os demais, são incompletos e projetos. Alguns são romances, outros ficção científica. Mas eu termino um dia.

Curioso....

Eu quase que acabei fazendo Arqueologia! Era 2003 e eu ia me inscrever para o vestibular. Eu e ray compramos os manuas e ela me ajudou a preenxer os dados. Quando chegou no curso, eu vacilei. Ela provavelmente pensou que eu queria Fisioterapia ou Odontologia, mas quando eu dise que pensava em fazer Arqueologia no Piauí, ela quase tem um troço! Então eu dei uma saída, não lembro se para comprar algo ou ir ao banheiro, e quando voltei ela tinha posto Medicina... De caneta! Depois de meia hora de conversa, ela me convenceu de que eu só estava fugindo do meu medo de não passar outra vez. Como seria se ela nada tivesse feito? Creio que seria tão feliz quanto sou hoje, mas seria uma pessoa totalmente diferente. Curioso pensar nisso...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Os almoços no Contato em 2003

Não vou fazer um relato sucinto cheio de nomes e fatos. Desta vez não. Irei rapidamente dizer que os melhores almoços que eu já tive foram em 2003 com a turma que era do cursinho do contato, lá em caruaru. Alguns de meus amigos do diocesano estavam lá e, de alguma forma, o contato virou o último reduto de minha turma e, por conta disso, eu provavelmente me sentia em casa.
Eram dois turnos no cursinho e como o contato ficava longe da casa da maioria e quase ninguém tinha carro, ficávamos lá mesmo. Eu levava uma marmita que minha mãe preparava com um zelo invejável e muitas vezes eu recebia elogios de como a comida estava bem arrumadinha e cheirosa. Pena que eu tinha que esquentar a comida, pois algo de seu gosto era perdido, mas mesmo assim era saborosa até dizer basta.
Íamos sempre para uma das salas, sentávamos em volta do birô, alguns ficavam nas carteiras e tome conversa! O grupo era muito bom, composto de caras novas e velhas para mim. Marina era meu mascote, estudei com ela desde o primeiro ano e sempre nos demos bem. Tinha meu querido amigo Sidney, que eu conheci um ano antes no cursinho do diocesano. Estes eram os mais antigos que eu conhecia.
Era um clima bom por um simples motivo: não falávamos sobre vestibular. Era horrível ter que lidar com este assunto 24 horas por dia 7 dias por semana, mas ali, pelo menos no começo, não tratávamos disso. Algumas vezes até falávamos, claro, mas sempre tentávamos nos ajudar a lidar com nossos medos e receios, sem falar nos grandes traumas. Não sei o grau de importancia desses almoços para eu ter passado, mas sei que sem eles, seria mais difícil... Queria ter outros almoços assim, mas nunca mais tive tanto gosto em me sentar com um grupo e aproveitar uma curta hora para esquecer do caos lá fora.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Está quase terminando meu longo pesadelo de 4 anos

Segunda feira, dia 16 de junho de 2008, provavelmente estarei terminando o oitavo período e apenas esperando chegar o internato. Finalmente está para terminar minha graduação. Não aguento mais e chego à reta final praticamente me arrastando. Pode ser o inferno na terra o internato, mas não pode ser pior que os últimos quatro anos que duvido muito que estejam entre os melhores ou pelo menos medianos de minha vida. Falta pouco e há semanas eu conto cada dia até esta época. Não fiz nada do jeito que eu queria e para quem julgava que poderia fazer tanto sair de lá quase sem nada é bastante frustrante, mas o pouco que eu fiz e que eu sei eu garanto que tenho mérito e vai me bastar. Está já acabando e posso daqui a alguns dias olhar isso como passado e fazer questão de esquecer quase tudo e para sempre. Acaba logo, por favor...